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Lei nº 14.133/2021: Inovação Necessária ou Desafio Estrutural para os Pequenos Municípios?

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A busca pela proposta mais vantajosa, entendida como aquela capaz de aliar preço, qualidade e atendimento ao interesse público, é um princípio estruturante das contratações públicas brasileiras, conforme já destacado por Gasparini (2011). Essa lógica foi reafirmada e ampliada pela Lei nº 14.133/2021, que inaugura um novo marco regulatório das licitações e contratos administrativos, com foco em planejamento, gestão de riscos, transparência e governança. Entre as principais inovações da nova Lei de Licitações, destaca-se a valorização da fase preparatória , especialmente por meio da exigência do Plano Anual de Contratações (PAC) , da análise de riscos e da profissionalização da atuação dos agentes públicos envolvidos no processo licitatório. Em tese, tais instrumentos representam um avanço significativo, pois permitem que a Administração planeje melhor suas contratações, reduza desperdícios, mitigue riscos e selecione propostas verdadeiramente vantajosas, indo além da lógica reducionist...

O tempo não apagou o que não terminou

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O dia amanheceu cinzento, chuvoso e frio. Ainda assim, a certeza de que, em algum lugar longe daqui, você pensa em mim acalenta minha alma e a aquece. Mesmo entre nuvens e chuva, o sol insiste em brilhar nos meus dias. Nos meus sonhos, você aparece sempre. Me conduz por estradas que desejei por tanto tempo, por sentimentos que ficaram represados, por encantamentos que já não cabem em mim. Penso que, se o famigerado universo assim conspirou, talvez tenha sido melhor assim. Hoje, mais calejado pelas agruras da vida, consigo valorizar ainda mais esse sentimento que tomou conta de mim há tempos — e lá se vão boas três décadas. Às vezes penso que nossa história ficou guardada, como naquela cena de “Chuva no telhado, vento no portão” . O mundo andando, a vida acontecendo, e a gente atravessando décadas sem se ver. Quilômetros demais entre nós, mas algo que não se dissolveu. Porque o tempo, quando é de amor, não apaga: ele acumula. Vira saudade, vira lembrança viva, vira esse desejo que chega...

Amor Hacker — três décadas até "nós"

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Quando parti de Cuiabá para Porto Velho, atendendo ao convite de meu irmão, eu estava numa situação franca de penúria — financeira e, sejamos honestos, também existencial. Trabalhava na Rádio Vila Real; o ano era 1987, se a memória ainda não estiver me sabotando. Larguei o emprego e fui. O futuro? Um conceito abstrato. Bora para mais uma aventura. A estrada não me era estranha. Já havia passado um tempo na divisa com o Paraguai, em Ponta Porã; servido na Marinha, no Rio de Janeiro; puxado boi magro de Cidade Jardim, no Mato Grosso do Sul, até Paranavaí, num caminhão boiadeiro. Eu já estava na vida. Quem sabe ali poderia dar certo. Porto Velho me recebeu sem promessas, mas com trabalho. Primeiro, locutor na Rádio Nacional, sem vínculo, mas com algum dinheiro entrando. Depois, Souza Cruz. Logo em seguida, troquei por outro emprego — nem melhor, nem pior — numa empresa de produtos farmacêuticos. Foi ali, como propagandista, que a vida começou a se mover de verdade, como se alguém tivesse ...

Ajustando o Tempo: 33 Anos de Espera

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O texto que segue nasce inspirado no estilo do cordel, essa forma de poesia popular que carrega ritmo, memória, musicalidade e alma. Antes de chegar aos versos propriamente ditos, preciso dizer que o encanto que o cordel provoca em mim não veio de livro didático nem de explicação acadêmica. Veio da estrada. Veio das minhas andanças por esse Brasil de meu Deus — esse país grande demais para caber só na cabeça, mas que insiste em caber no coração. Foi numa dessas caminhadas pelo mundo que tive a oportunidade de conhecer o Velho Chico. Conheci sua nascente, tímida, quase improvável de se transformar no imenso rio que viria depois, lá no alto da Serra da Canastra, em São Roque de Minas. Vi o fio d’água nascer discreto, como quem não quer chamar atenção para a grandeza que carrega no destino, logo em seguida a beleza da Casca D'Anta, a primeira grande queda d'água do Velho Chico, e daí em diante vai engrossando seu caldal, atravessando vales, montanhas, planalto e planícies, estreit...

A Estrada Que Nos Escolheu - Quando duas almas reencontram o caminho — e o destino decide sussurrar de volta.

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Há encontros que não precisam de calendário; apenas acontecem quando duas almas, cansadas das próprias estradas, voltam a se reconhecer no meio do caminho. Depois de tanto tempo caminhando em direções diferentes, descobrem que certas conexões não se rompem — apenas adormecem, esperando o instante em que o mundo fica silencioso o bastante para que voltem a escutar um ao outro, e então reencontrem aquilo que nunca deixou de existir. O texto que você está prestes a ler nasce justamente desse reencontro: duas histórias individuais que, apesar dos desvios, guardaram uma chama discreta, porém teimosa — um amor que, por muito tempo, foi incompreendido, intenso demais para caber em palavras, mas nunca fraco o suficiente para desaparecer. Agora, mais maduros, com as cicatrizes que só o tempo sabe esculpir, esse sentimento finalmente encontra espaço para ser reconhecido, sentido e, enfim, acolhido. É nesse território onde sonho e verdade se cruzam que caminhamos juntos outra vez. E é daí que sur...

Das coisas que a gente lembra sem querer... o pássaro e a gaiola dourada.

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A gaiola era de ouro — brilhante, perfeita, cintilando como se cada barra tivesse sido polida por expectativas alheias. E o pássaro, coitado, vivia ali. Tinha comida, sombra, e um canto que ecoava bonito nas paredes douradas… mas bonito demais, como se a própria acústica o estivesse enganando.  Era de alegria? De tristeza? NEm mesmo ele sabia. A porta estava aberta há anos. Aberta. Escancarada. Um convite silencioso que reluzia sob a luz, como se dissesse: vai! Sê livre! E, ainda assim, ele não voava. Permanecia ali, ofuscado pela reluzente gaiola dourada. Não era medo exatamente. Também não era comodismo — embora a almofadinha dourada no poleiro, macia como desculpa, ajudasse bastante a permanecer. Era um vazio mais fino que ar, mais afiado que silêncio. Uma ausência que brilhava como ouro falso: bela à primeira vista, mas fria ao toque. Algo faltava — um fragmento esquecido de si mesmo, escondido onde as lembranças, às vezes, se recusam a iluminar; uma velha chama que teimava em ...

Sobre os Professores que me formaram — e o eco que deixaram em mim

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Dia desses recebi da Amazônia dois vídeos nos quais os alunos emocionados agradeciam à professora as aulas recebidas. Olha, a professora que é durona, sabe?, - daquelas que não se deixam cair por qualquer coisa -, percebi um certo, “eita! Caiu um cisco aqui no olho!” … e foi por conta desses vídeos é que surgiu a ideia para este post de hoje. Aí vai: Sempre que paro para pensar na minha trajetória, percebo que boa parte do que me tornei foi moldada por professores que deixaram marcas profundas em mim. Não falo apenas de conteúdos ou técnicas, mas daquelas presenças que, de alguma maneira, fizeram o mundo parecer maior, mais curioso e mais possível. E, olha, isso vem de alguém que não costuma admitir sentimentalismos em voz alta — mas cá estamos. Tudo começa lá na infância, com a Tia Olguinha. Foi ela quem abriu as primeiras portas para um mundo que eu ainda não entendia, mas que parecia fascinante. Depois, já um pouco mais crescido e cheio das manias escolares, vieram outros nomes que ...